terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Em Busca da Felicidade

Daniel não se sentia bem, mas de alguma forma o que Hannah tinha acabado de dizer o animara. Ele lamentava tanto a perda dos pais dela, isso doía nele. Ele queria estar presente todo momento para ajudá-la a superar e evitar que ela entrasse em depressão. Para ajudá-la a viver, viver uma vida diferente sem os pais. Ele mesmo estava atordoado, o pânico do momento não deixou nem que eles procurassem saber a causa do naufrágio do navio, nem pensar no que fazer e como agir daí pra frente, a mente dos dois precisava de descanso.
Daniel sentou-se na cama e pediu a Deus que desse força para Hannah superar tudo aquilo, pediu que os pais dela estivessem em um bom lugar, pediu forças para si mesmo, em situações emocionais e de saúde, agradeceu por estarem bem, deitou-se novamente e adormeceu.

Acordou as 6:06, não deixou de pensar que eram horas iguais mesmo que não se importasse com isso. Foi para a cozinha, fritou uns ovos e colocou junto ao pão, espremeu um suco de laranja sem água e sem açúcar, preparou tudo na mesa, foi para o jardim da frente da casa, abriu a caixa de correio e pegou o jornal. Subiu as escadas e foi esperar Hannah acordar.
Sentou na poltrona ao lado da cama onde ela estava, começou a folhear o jornal e achou a página que falava sobre o acontecido com o navio. Leu que o acidente havia sido provocado por um outro navio cargueiro descontrolado que se chocou na proa do navio, o que fez o piloto ficar gravemente ferido e perder o controle do mesmo, estava tão imerso em pensamentos que nem viu o exato momento em que Hannah acordou, ouviu a voz dela dizer:
-Não chore, Daniel, você não merece sofrer.
Daniel estava tão distraído que nem havia percebido as lágrimas que desciam de seus olhos, percebeu também que Hannah parecia estar observando-o já à alguns minutos. Automátimente secou as lágrimas e lhe abriu um sorriso:
-Bom dia, meu anjo! Como você dormiu?
-Tive pesadelos, me vi na cena da morte dos meus pais, eu deveria ter estado lá. Morreria com eles, morreria por eles. Não fui por causa dessa droga de entrevista, era pra eu estar com eles agora.... No Outro Lado.
-Não diga assim, Hannah, eu te amo,eu sentiria sua falta.
-Eu também te amo, Daniel, mas é diferente, são meus pais. E na verdade eu nem sei porque o navio naufragou ainda. Certo que eu estou um pouco mais calma, mas eu estou em estado de choque. Obrigada por me dar forças.
-Não diga que queria ter morrido, eu não iria querer perder você por nada nesse mundo, minha linda.
Ela sorriu e ele continuou:
-Um navio cargueiro desgovernado se chocou com o navio que seus pais estavam, esse foi o motivo.
-Daniel, o que será agora? Como eu vou viver sem eles, onde eu vou ficar, com quem eu vou ficar, que presença maternal vai me dar carinho?-Indagou ela com lágrimas nos olhos.
-Tudo vai se resolver, tenha fé em Deus que tudo vai  dar certo ,eu nunca vou te abandonar.
-Onde eu vou morar? não posso ficar aqui antes de completar 18 anos,não que a lei não permita, mas de alguma forma eu não conseguiria.
-Você pode morar lá na minha casa.
-Daniel, isso seria pedir de mais.
-Levante-se, eu preparei o café, venha.
Hannah levantou, foi ao banheiro lavar o rosto e escovar os dentes. Sentou-se na mesa da cozinha, ainda não estava bem e duvidava que iria ficar. Estava muito grata por tudo que seu namorado tinha feito por ela, sentia que ele era o único e mais importante de sua vida.
Beliscou o pão com ovo que Daniel havia preparado e começou a pensar em coisas simples como: como seria na escola, como viveria se Daniel a abandonasse, como seria seu trabalho sem seus pais pra abraçá-la toda vez que chegasse em casa.
Sentia tanto a falta deles.

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